

As provas da sobrevivência, nestes últimos tempos têm vindo de todas as formas e, pode-se dizer, à contento de todos os que, de bôa vontade, desejam obtê-las e trabalham para syndicarem o que ha de verdade Além da Morte.
Phenomenos de toda a natureza têm maravilhado o mundo. Imaginou-se por último que não poderia ser melhor a prova de identidade si o Espírito desse a “impressão digital” para ser comparada com a que se acha nos Departamentos da Polícia.
Pois bem, esta tentativa foi ultimamente coroada de grande êxito.
Todos os que acompanham o movimento psychico, devem se lembrar do desafio feito por um grupo de sabios à Mme. Margery, o medium de Boston, que submetteu-se a todos os contrôles imagináveis, tendo os phenomenos vencido todas as resistencias contrarias. Essa distincta senhora é esposa do Dr. Crandon, um dos principaes cirurgiões de Boston, homem sympathico, calmo e modesto, mas de uma energia mascula, que sustentou com admiravel independencia de espírita, renhida lucta com os Universitarios de Harward, incredulos, endurecidos no seu falso saber. Elle conta como sua esposa supportou crueis provas, resistindo a contrôles que, por fim, vieram estabelecer a realidade dos factos.
O mais importantes de todos é a impressão digital scientificamente verificada.
Sabe-se que a entidade que se manifestava nas sessões era Walter, irmão de Margery. A sua vóz foi ouvida por todos os assistentes e a authenticidade deste phenomeno foi reconhecida, depois do emprego de um aparêlho de contrôle que tornava a negação impossível. Certas pessoas puderam, assim, entrar em conversação com Walter, espírito propenso à brincadeira e conhecido por suas espirituosas replicas em face das quaes os maiores scepticos sahiam cabisbaixos.
Mas narremos sobre o caso da impressão digital, reconhecida.
Em 1912, Walter, que residia com sua mãe, ao barbear, deu um passo falso cortando-se com a navalha, do que valeu a morrer. Sua mãe guardou a navalha collocando-a numa caixa. Esta caixa só foi aberta em maio de 1927 e quem a abriu retirou a navalha da caixa, utilisando-se de uma pinça. Examinando a notou que no cabo da navalha havia uma impressão digital na cêra por mais de sessenta vezes, o Dr. Crandon, de posse da navalha, submeteu-a à observação dos experimentadores de impressões dos departamentos da polícia em New-York, Londres, Washington, Vienna e outras cidades, sendo que o resultado não deixa nenhuma duvida quando à egualdade da “impressão”.
Ora, essa identificação de Espírito não pode ser de certeza mais mathematica.
Light, noticiando o caso, pergunta ao Dr. Crandon como a mediunnidade de Margery resistiu a uma atmosphera tão intensa, a influencias esterylisantes como a dos scientistas arrogantes, que presenciaram os phenomenos, procurando sempre inutilisa-los.
O Dr. propôs a questão a Walter e este respondeu que a sua acção sobre o medium e sua resistencia à más condicções eram devidas à grande affeição que elle tinha por sua irmã e a união de sentimentos que os ligava.
E assim vai o Espiritismo vencendo os negadores com sua sciencia. (Revista Internacional do Espiritismo, p. 221-221)