

Por Gilberto Schoreder - Da revista
"Espiritismo & Ciência"
Em edições anteriores da revista Espiritismo & Ciência (números 2 e 4), já apresentamos alguns dos casos de possíveis reencarnações, pesquisados pelo Dr. João Alberto Fiorini, utilizando as técnicas de comparação de impressões digitais e marcas de nascença. Agora, Fiorini também esta usando o exame prosopográfico - ou seja - o estudo da face humana.
Mais que isso, e sempre preocupado em seguir o caminho da ciência, Fiorini está cursando Ciências Biológicas e deverá defender a tese da reencarnação na faculdade. Segundo ele explica, as pessoas aceitaram bem sua proposta e os professores respeitaram sua opção. "Na verdade, não há porque rir ou fazer pouco caso", ele explica, "porque é algo científico. Os professores aceitaram bem a idéia de usar a genética para ajudar na pesquisa da reencarnação."
A idéia de buscar a comprovação da reencarnação com a utilização de exames de DNA, por exemplo, já vem sendo perseguida há algum tempo, e mais cedo ou mais tarde poderá ser realizada. É questão de aguardar o momento exato e de ter a verba disponível para tanto.
Segundo explica, nosso corpo é formado por 70 milhões de células, dentro de cada uma existe um núcleo que contém os 46 cromossomos (23 do pai, 23 da mãe). Em seu interior, existem as moléculas de DNA, responsáveis pela armazenagem de informações hereditárias codificadas; é um produto muito mais sofisticado do que qualquer computador.
No entanto, as 70 milhões de células que também compõem o corpo espiritual, o perispírito, não apresentam núcleo celular, logo não se reproduzem por não possuírem material genético. "Portanto", conclui Fiorini, "se o perispírito não possui cromossomos, ele não pode se reproduzir na vida espiritual e geneticamente não pode ser identificado através de materialização. Por exemplo, quando o espírito de Katie King foi materializado através da médium Eva Carriére, o pesquisador colheu um fio de cabelo do espírito materializado. Esse fio de cabelo colhido, caso fosse feito o exame de DNA, provavelmente seria o de Eva, pois o perispírito não possui DNA. O ectoplasma colhido para análise nos casos de materialização não poderia ser proveniente do espírito, pois ele não possui material genético. Então, quando houver materialização, se for coletado o material, dever-se- á se fazer o teste de DNA para comprovar de onde ele vem. Do médium ? Das pessoas presentes ? E se o DNA não combinar com nenhum deles ?"
Fiorini pretende, um dia, responder questões como essas e, ainda, como o perispírito pode interferir no corpo da nova existência se não possui código genético. Será que ele pode mudar o DNA, interferir ou fazer com que o DNA de duas pessoas seja igual ? O pesquisador cita o autor espiritual André Luiz, em "Evolução em dois Mundos", onde ele diz que no interior da célula há uma espécie de ponto de encontro de matéria e espírito, indicando o citoplasma como fronteira avançada no ser espiritual e o núcleo como a presença da matéria.
"Então", continua Fiorini, "porque ele, um corpo invisível aos olhos humanos ou a qualquer outro instrumento inventado ate hoje na face da Terra, não pode moldar o novo corpo encarnante – o que a literatura chama MOB (modelador organizador biológico) ? Se descobríssemos isso, iríamos ter o maior avanço da ciência, especialmente da medicina. A química que comanda os genes, as divisões celulares, talvez não sejam mensagem química através do sangue (enzimas, proteínas, etc.) ou mensagem elétrica através dos nervos, comandada pelo hipotálamo ou mensagem hormonal das glândulas, mas sim uma mensagem.diretamente do corpo perispiritual (perispírito), algo ainda desconhecido da ciência oficial".
Estudo da Face
O exame prosopográfico, ao qual já nos referimos, é um procedimento policial bastante conhecido, reconhecido como forma de identificação cientifica, que também está sendo utilizado por João Alberto Fiorini, na tentativa de análise das digitais e da escrita.
Os exames levantam pontos de semelhanças entre dois rostos, duas digitais ou duas escritas. Por exemplo, para poder se dizer que um rosto é igual a outro que está sendo analisado, são necessários trinta pontos de semelhança. No caso das digitais, são doze pontos, no exame da orelha oito pontos e, na escrita, cinco pontos.
Claro que não são todos os casos de possível reencarnação que apresentam semelhanças. Mas segundo Fiorini, esses casos de semelhança podem ser um excelente material de pesquisa.
Num dos casos analisados, ele enviou para o Perito em Representação Facial Humana Descritível - Jorge Luiz Werzbitzki - a foto de um rapaz, identificado aqui como Junior, para serem comparadas com a foto daquele que ele teria sido numa vida anterior. Segundo o rapaz explicou, ele nada sabia de sua existência anterior até que chegou - às suas mãos - um livro entitulado "Eram 59", e que se referia a 59 jovens que morreram num acidente de ônibus em Rio Turvo, entre a cidade de Olímpia e São Jose do Rio Preto em 1960. Junior, que tem 29 anos e mora em São Paulo, disse que é muito difícil para ele se lembrar da encarnação anterior, dizendo sofrer muito ao recuperar as lembranças. Quando ele viu o livro, reparou na imagem de um dos jovens falecidos e entrou em desespero, pois percebeu que estava vendo a si mesmo e que tinha morrido naquele acidente, lembrando-se imediatamente do fato.
"Segundo esse rapaz", explica Fiorini, "eram dois ônibus: um com os rapazes, outro com as meninas. Ele contou que tudo começou com uma brincadeira, com um ônibus ultrapassando o outro na estrada. Mas, quando chegaram na ponte do rio, o motorista do ônibus dos meninos – um japonês que consegui sobreviver - não conseguiu passar e caiu no rio, com os jovens, morrendo afogados. Mas, Junior disse que se lembra de que não morreu afogado, pois estava em pé no meio das ferragens".
Ele se lembra de outros detalhes de sua existência anterior, em São José de Rio Preto, dizendo que tinha um irmão militar; também era viciado em drogas e, em razão disso, teria cegado um rapaz de uma olaria devido a um acidente. Fiorini diz que devido a esse acidente, na atual encarnação, ele voltou com um problema na vista.
Na época, o caso repercutiu de tal forma que Chico Xavier chegou a escrever uma psicografia de um dos meninos, registrado no livro "Vida no Alem". Rochester também falou sobre esse caso. Na mensagem, ele pedia que não condenassem o motorista que fugiu do local do acidente, uma vez que ele não tinha a culpa. Mais do que isso, disse que os 59 mortos eram remanescentes da França, da época em que Catarina de Médici promoveu a tristemente famosa "Noite de São Bartolomeu" (24 de agosto de 1572) com o massacre de milhares de huguenotes (protestantes). Os 59 eram católicos e, a mando da Rainha, participaram do massacre contra os protestantes; e sua reencarnação no Brasil fez parte de seu resgate.
O rapaz resolveu ir a cidade e, chegando lá, as lembranças voltaram com força total. Viu pessoas colocando velas e flores em seu tumulo e pensou: "Mas que absurdo, eu estou vivo, estou aqui". Andando pela cidade, encontrou uma pessoa que o reconheceu e que reencarnara na cidade. Ela lhe disse que se lembrava que eles tinham morrido acidente com o ônibus.
Fiorini, tomou conhecimento do caso e solicitou a foto do rapaz para fazer o laudo de perícia uma vez que ele apresenta os mesmos traços que tinha na outra vida. O perito fez os estudos e encontrou dezesseis pontos de semelhança. Como já dissemos, quando são encontrados trinta pontos de semelhança considera-se que é o mesmo rosto, a mesma pessoa.
Segundo Fiorini explica, todos os meninos que morreram tiveram as digitais colhidas no IML. O inquérito está arquivado e é possível ter acesso às digitais, o que pode dar novos rumos à pesquisa, pois possibilita comparar com as do rapaz que diz ter reencarnado.
Poesia do Passado
Outro caso investigado por João Alberto Fiorini, refere-se à possível reencarnação da poetisa portuguesa Eugenia Infante da Câmara (1837-1874), mais conhecida na história das artes brasileiras por ter sido amante de Castro Alves.
A jovem, que diz ser a reencarnação da artista portuguesa, contou ao investigador que - já na sua infância - por volta dos sete anos de idade, chorava muito porque se lembrava de uma cidade européia (que ela afirma ser Lisboa) onde a poetisa nasceu – e já declamava em espanhol e francês. Alem disso, afirmava que sua mãe não era sua mãe de verdade, lembrando-se da vida anterior.
Posteriormente, a jovem se interessou muito por poesia e se formou em Letras, com especialização em Lingüística. E, ao estudar a vida de Castro Alves, por quem tinha verdadeira adoração, encontrou um retrato de Eugenia Infante de Câmara, sentindo uma emoção muito forte e pensou que, realmente, poderia ter sido essa mulher em outra vida.
"Geralmente", explica Fiorini, "quando a pessoa tem uma lembrança de vida passada, a situação não é agradável". A pessoa fica abalada e com a jovem não foi diferente. Na dúvida quanto ao que estaria acontecendo, foi procurar uma casa espírita e relatou o caso. Lá, perguntaram a ela se isso realmente era importante, se iria trazer algum beneficio, ou se ela iria, tendo esse conhecimento, fazer algo de útil à sociedade. "Uma das pessoas que estavam na casa espirita", continua Fiorini, "me procurou porque eles não deram a mínima para ela, inclusive maltrataram a moça".
Depois de conversar pessoalmente com ela, Fiorini resolveu levá-la a um centro espírita e o médium do local disse que não se tratava de obsessão – possibilidade que o pesquisador chegou a levantar – mas que se tratava de fato, de um caso de reencarnação; e que a jovem teria de trabalhar mais sua própria personalidade e não ficar apenas pensando na existência passada.
Dessa forma, dando seqüência a sua investigação, Fiorini obteve uma foto da jovem e uma imagem da Eugenia da Câmara. Apesar da dificuldade causada pela imagem antiga sem muita definição, o perito Jorge Luiz Werzbitzki encontrou vinte e um pontos de semelhança entre as imagens, ou seja, cerca de 70% de possibilidades de ser o mesmo rosto, é um caso considerado de "ótima semelhança".
Outro exame foi feito com relação à escrita. Segundo Fiorini, conseguiram um texto manuscrito de Eugenia da Câmara, na Biblioteca Nacional, e pediram à jovem que escrevesse o mesmo texto, obtendo muitos pontos de semelhança, a ponto do perito ficar abismado com o resultado.
Ao se referir a sua amada, Castro Alves também fez referência a uma mancha que Eugenia tinha no seio esquerdo, mancha que a jovem brasileira também apresenta.
Esses e outros casos podem ser elementos importantes na comprovação por meios científicos e Fiorini vai falar bastante sobre eles e como elaborou suas pesquisas num livro que deve ser lançado em breve. Ele também está realizando pesquisas na área da transcomunicação instrumental, das quais também falaremos nos próximos números da revista.