

Érika Silveira
Para João Alberto Fiorini , delegado de policia no Paraná, exames de traços fisionômicos e impressões digitais podem comprovar casos notórios de reencarnação, como os aqui apresentados.Embora a reencarnação seja uma realidade incontestável para todos aqueles que aceitam a doutrina espírita, o fato está cada vez mais próximo de ser comprovado por métodos puramente materiais e científicos; isso, por que casos notórios vêm sendo pesquisados e desvendados por meio das investigações feitas por pesquisadores como João Alberto Fiorini, membro do Departamento da Polícia Científica e delegado-chefe da Delegacia de Investigação Criminal de Policia do Paraná, que analisa digitais de criminosos e cadáveres pelo DNA há mais de 15 anos.
Estes estudos levam em conta laudos técnicos elaborados por respeitados peritos, que indicam grandes semelhanças entre o rosto, as impressões digitais e a escrita dos indivíduos pesquisados. Com tanto material já coletado e bastante experiência no assunto, Fiorini pretende lançar um livro, em breve, no qual relatará todos os casos já analisados e comprovados. O titulo provisório da obra é "Investigação Cientifica da Reencarnação".
O RETORNO DE UM PADRE
Desencarnado aos 60 anos de idade, em virtude de um acidente de transito, um padre (não identificado por razões de segurança), tornou a encarnar como o quinto filho de uma mulher que ele havia amado durante sua vida religiosa, embora ela o tenha abandonado para se casar com outro homem. Até os sete anos, esse menino afirmava ter sido um sacerdote e contava estórias particulares que apenas ele e a mãe conheciam.
Com tantas evidências, o delegado Fiorini solicitou à mulher que providenciasse uma foto e uma carta dos dois para investigar o caso. Depois dos exames digitais (datiloscopia) e de fisionomia de face (prosopografía), constatou-se que as características eram muito parecidas. Segundo estudiosos, embora os laudos apontem 16 pontos de semelhança no rosto, levando-se em conta o formato da cabeça, o desenho das sobrancelhas, o contorno e a distância entre os olhos, a espessura dos lábios entre outros, os traços devem se acentuar com o passar dos anos, sobretudo quando o rapaz (que atualmente tem 24 anos) estiver próximo da idade de sua desencarnação passada como padre. No entanto, apesar do laudo indicar tamanhas semelhanças entre o citado religioso e o rapaz , o perito deixou bem claro em seu relatório que ainda não se pode comprovar que este seja um caso real de reencarnação .
Com relação às impressões digitais, Fiorini destaca que, apesar de poder apresentar uma grande aproximação, não há o mesmo tipo de linha identificatória pelo fato da pessoa ter nascido em outro corpo, como um registro pessoal nas pontas dos dedos. O fato é que a ciência caminha incessantemente em busca de provas substanciais para comprovar a existência da reencarnação, ou seja, que o espírito imortal pode voltar em diferentes situações e corpos.
CASO COMPROVADOR
Já a história de Junior (nome fictício, pois ele não deseja ser identificado por familiares) é uma comprovação diária de que a reencarnação existe. Atualmente, com 29 anos de idade e residente na cidade de São Paulo (SP), ele passou a se recordar de fatos ocorridos em sua encarnação anterior, quando teria desencarnado aos 17 anos em um acidente de ônibus, durante uma excursão de escola, no trajeto entre as cidades de São José do Rio Preto e Barretos, no interior paulista.
As lembranças de Junior começaram a aparecer em 1980, quando fez uma viagem com um grupo de escoteiros para Barretos. Ele disse que não conseguiu pregar o olho durante o caminho, ficando muito impaciente e agressivo. Ao chegar no local, teve a impressão de já haver estado ali anteriormente e sua personalidade se alterou completamente. "Acabei voltando mais cedo para casa , pois não consegui ficar na cidade. Sonhava com uma casa toda noite, o que me perturbou muito. Passado o ocorrido, não toquei mais no assunto", conta.
Para que os leitores possam entender melhor, em 1960, a avó de Junior dirigia um centro espírita em Araraquara e um dos trabalhadores dali estava indo para Brasília (DF) quando passou mal e sentiu que o problema dele poderia ser espiritual. Nesse momento, um espírito se comunicou dizendo que havia acabado de desencarnar em um acidente quando ia de São José do Rio Preto para Barretos, mas o médium - não acreditando na estoria - resolveu averiguar o caso. Foi quando a estória começou a se desenrolar. Vale lembrar que o caso Junior ainda passará por laudos técnicos de peritos.
EXISTÊNCIA DA REENCARNAÇÃO , OU SEJA, QUE O ESPÍRITO IMORTAL PODE VOLTAR A REENCARNAR EM DIFERENTES SITUAÇÕES E CORPOS
DEPOIMENTO SOBRE O CASO
Nesta entrevista, Junior fala mais sobre o seu caso, como ocorreram as lembranças, as investigações que fez e como convive com tudo isso:
Como foi que tudo aconteceu ?
Junior : Chegando em casa dos familiares, desse espírito que se comunicou com minha avó, todos estavam seguindo em direção ao velório do rapaz. O tempo passou e eu, nesta encarnação, recebi um livro chamado Eram Cinqüenta e Nove, escrito por um professor de São José do Rio Preto, que contava a estória desse acidente e tinha apenas 100 exemplares. Esta obra chegou as minhas mãos de uma forma estranha, foi minha tia quem me emprestou o livro, que havia ganhado de uma amiga. Quando comecei a ler, entrei em desespero pois tinha certeza de que fazia parte dele. De repente, ao observar as fotos, percebi que em uma delas, parecia que estava me vendo no espelho. Em seguida, surgiu uma série de lembranças imediatas, como se alguém houvesse apertado um botão e viesse à mente, de uma única vez, toda a recordação do passado. Foi uma fase muito difícil, passei a misturar as coisas dessa encarnação e da outra; não sabia mais diferenciar. Tinha 17 anos nessa época e pensei que estava enlouquecendo. Uma das imagens que mais me marcaram e que me recordo são alguns momentos antes do acidente, quando estava reunido com o pessoal no fundo do ônibus, cantando e brincando muito. Outro fato que me lembro foi que, na outra encarnação, ceguei sem querer, por estar drogado e, na atual, sofri de uma doença nos olhos, tendo de passar um mês trancado num quarto escuro e utilizando medicamentos, quase perdi totalmente a visão. Isso aconteceu antes de me lembrar de tudo. Atualmente, minha visão é perfeita. Entretanto, uma parte dos meus problemas espirituais está ligada a esse episódio, porque o espírito do pai desse rapaz não aceita o fato, até hoje, e me persegue incansavelmente. Agora também sou pai e me colocou na posição dele, tenho ciência de como deve ter sido difícil. Talvez estaria agindo assim se estivesse em seu lugar.
Como você investigou o caso ?
Junior : Primeiro, tratei de me reequilibrar. Procurei ajuda espiritual e fui esquecendo um pouco desse passado. Na época, minha família - que sempre foi espírita - viajou para São José do Rio Preto e contou a história para os familiares do rapaz, que, por também serem espíritas, aceitaram tranqüilamente. A partir de então, formou-se uma forte ligação entre nós que dura até hoje. Minha avó recebeu mais uma comunicação de um espírito, dizendo que eu não fosse para lá de jeito nenhum, pois existiam fatos que poderiam me desequilibrar. Passando um certo tempo, fui até a cidade, visitei o cemitério e ai entendi o motivo pelo qual não poderia ter ido antes, pois vi que a data da morte de minha mãe anterior era muito recente. Na verdade, quando reencarnei, meus pais da existência passada ainda eram vivos.
Falar sobre isso lhe faz mal ?
Junior : Traz um certo desequilíbrio, acabo revivendo tudo o que ocorreu. Na verdade, sinto que minha responsabilidade aumenta muito, pois Deus foi muito misericordioso comigo, já que reencarnei em um período curto de tempo, apenas 13 anos depois. Devido a essas lembranças, eu me cobro muito, sei que tive muita ajuda e preciso retribuir de alguma forma.
Você voltou a investigar o caso ?
Junior : Não, achei que não deveria dar prosseguimento, pois meu principal medo é que existam pessoas encarnadas envolvidas e não sei qual é o estado espiritual delas. Será que estariam preparadas para receber essa noticia ?
Na atual encarnação, você teve problemas com drogas novamente ?
Junior : Não, inclusive, sempre tive muito medo. Quando via pessoas utilizando na escola, aquilo me causava um pavor muito grande .
Atualmente, como você convive com essa questão ?
Junior : Já melhorei muito. Entendo que isso faz parte do passado e que recebemos outras oportunidades devendo servir apenas como embasamento para novas experiências. O que importa, agora, é que fizermos daqui por diante. Com certeza, se não fosse espírita, estaria internado em um sanatório, da mesma forma que acredito que outras pessoas lá estejam pelo mesmo motivo.